A verdade sobre Lula

Na visão budista não há realidade objetiva. O que existe são realidades construídas pelas mentes dos seres, que vão se imiscuindo umas nas outras e meio que se entredevorando.

No entando, dentre estas realidades construídas pelas mentes dos seres, algumas são mais reais que outras, digamos assim.

É claro que, às vésperas das eleições, estou falando sobre as fake news.

A mentira sempre existiu, mas a capacidade de invenção e propagação de narrativas inverídicas vem sendo impulsionada dramaticamente desde a invenção do rádio e da televisão, chegando a uma espécie de estado da arte macabro com as big techs e a IA.

Urge nos debruçarmos, portanto, sobre uma questão importante, central para o futuro do país: quem é, afinal, Luiz Inácio Lula da Silva?

O homem está concorrendo ao quarto mandato presidencial. É uma das pessoas mais conhecidas do país. E, ainda assim, é impressionante o festival de desinformação que circula sobre ele.

Vivemos um momento crítico na história humana, em que eleições como a desse ano no Brasil podem interferir no futuro da própria espécie – e isso não é um exagero retórico, considerando que as mudanças climáticas já estão provocando desastres naturais, e colocar negacionistas no poder pode ser a pá de cal nos esforços para reverter o apocalipse.

Vamos, então, tentar esclarecer um pouco as coisas, e comparar Lula com seu adversário nessas eleições.

Lula nasceu no interior de Pernambuco, numa família pobre. Viveu o drama da seca e passou fome. Migrou pra São Paulo com sua mãe e irmãos, trabalhou como engraxate, vendedor ambulante, ajudante de tinturaria e depois metalúrgico – profissão que lhe arrancou o dedo mindinho.

Esta é uma trajetória diferente dos candidatos tradicionais, que em geral vêm de famílias abastadas ou no mínimo de classe média (como são todos os outros nesta eleição). Um político que sentiu na pele as dificuldades por que passam milhões de brasileiros que lutam contra a fome e a miséria tende a ter mais empatia e trabalhar para mudar esse tipo de situação.

Não que isso seja garantia de qualquer coisa, é claro. Lula poderia ter renegado suas origens e governado apenas para os ricos quando chegasse ao poder.

No entanto, ainda como metalúrgico Lula começou a organizar os trabalhadores para lutarem por seus direitos. Liderou as grandes greves do ABC Paulista, tendo sido até preso pela ditadura. Com a abertura democrática, foi candidato a presidente em 1989.

Foi para o segundo turno contra Fernando Collor. A Globo manipulou o debate, exibindo no Jornal Nacional apenas os cortes bons para Collor e ruins para Lula. Perdeu por pouco. Collor sequestrou o dinheiro da poupança dos brasileiros e sofreu impeachment.

Em 1994 e 1998 Lula concorreu contra Fernando Henrique Cardoso. O político do PSDB era o preferido da mídia, que sempre apoia os candidatos de direita, pois defendem a mesma classe: banqueiros, especuladores, grandes empresários, os ricos, enfim. FHC ganhou as duas eleições. Desemprego e fome eram altos. Brasil quebrou e teve que pedir dinheiro pro FMI.

Em 2002 Lula ganha sua primeira eleição. Adota algumas políticas econômicas parecidas com as da direita, o que desagrada boa parte da militância de esquerda. Ainda assim, o desemprego diminui. O salário mínimo aumenta acima da inflação. A fome diminui.

Em 2006, Lula se reelege e Dilma continua os governos petistas, se elegendo em 2010 e 2014. O Brasil sai do mapa da fome da ONU. O desemprego cai ainda mais e o salário mínimo continua valorizando.

Aí vem o golpe de 2016. Dilma é tirada do poder e, com o governo Temer, o salário mínimo congela (no máximo se repõe a inflação, e olhe lá.) Com a eleição de Bolsonaro, o Brasil volta ao mapa da fome. 33 milhões de pessoas (!) em insegurança alimentar grave. Desemprego explode. 700 mil mortos na pandemia porque Bolsonaro fez exatamente o contrário do recomendado pela ciência. Espalhou negacionismo e gerou dor, sofrimento e morte. O salário mínimo perdeu valor real.

Em 2022, Lula é eleito novamente. O Brasil sai do mapa da fome de novo. O desemprego atinge o seu menor índice histórico. Lula isenta do imposto de renda todos que ganham até R$ 5 mil. O salário mínimo volta a aumentar acima da inflação.

Isso tudo são dados, galera. Joguem na IA algo como “comparação do desemprego, fome e salário mínimo nos governos FHC, Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro e Lula” e vejam por vocês mesmos.

Os números não mentem: os governos de Lula e do PT foram muito melhores para a maioria da população. Os governos da direita deixam a população com menos renda, aumentam o número de gente com fome, aumentam o desemprego.

Mas e a corrupção do Lula e do PT?

Bom, aí entramos naquele terreno das fake news. A mídia tradicional, e agora as big techs, são representantes da elite brasileira, dos ricos. Então, desde que Lula foi eleito pela primeira vez, se tenta de tudo para destruir o PT e impedir sua volta ao poder. (E isso que o PT é um partido moderado, tá? Eu mesmo gostaria que um partido muito mais de esquerda chegasse ao poder.)

O chamado “mensalão” e a Lava Jato são exemplos disso. Foram manipulações do sistema de justiça operadas para derrubar o PT do poder.

Não estou dizendo que o PT é perfeito e que não tem corruptos no partido, é claro. Mas é evidente que o tratamento é muito diferente quando o caso de corrupção envolve políticos de direita.

A vida do Lula foi revirada de cima a baixo. Lula ficou preso por 580 dias. Depois descobriram que o juiz que o condenou, Sergio Moro, era totalmente parcial – tanto que foi ministro de Bolsonaro e agora é um político antipetista raivoso (e burro).

Não há prova alguma contra o Lula na Lava Jato. Repito: não há prova.

Estudei muito essa operação, pois escrevia sobre política na época. Tentaram empurrar um triplex que o Lula nunca comprou e um sítio que nunca foi dele como grandes corrupções. Um triplex e um sítio. Não encontraram nenhum ato de Lula que favorecesse qualquer empresário em troca de favores. Ainda assim, o prenderam, para tirá-lo da eleição de 2018 e entregá-la a Bolsonaro.

Se você acha difícil acreditar que Lula não é corrupto, compare com os Bolsonaro, que compraram dezenas de imóveis luxuosos com dinheiro vivo. Quem compra imóvel com dinheiro vivo? Salário de político não dá pra isso, mas eles conseguiram.

A loja de chocolates do Flávio Bolsonaro é a única do mundo que não aumenta o lucro na época da Páscoa. A hipótese mais provável é que trata-se de lavagem de dinheiro, possivelmente da rachadinha que Flávio sempre fez em seus gabinetes, confiscando ilegalmente o salário de seus funcionários.

E o escândalo do banco Master? Daniel Vorcaro, mancomunado com inúmeros políticos (a esmagadora maioria de direita) e membros do Judiciário roubou a aposentadoria de muita gente para enriquecer.

Flávio inicialmente disse que não tinha nenhuma relação com ele, mas depois apareceram áudios seus pedindo centenas de milhões de reais, supostamente para o tosquíssimo filme Dark Horse. Flávio visitou Vorcaro pessoalmente, quando este já estava em prisão domiciliar!

Até o escândalo do INSS, que tentaram jogar no colo do Lulinha, está muito mais próximo do Flávio Bolsonaro, que tem relações íntimas com pessoas diretamente envolvidas no esquema.

Se a ficha corrida de Flávio Bolsonaro é lamentável, o projeto pro Brasil, então, é pior ainda.

O pai de Flávio tentou dar um golpe de estado depois de perder as eleições. Confesso admirador da ditadura, não aceitou o resultado e buscou se perpetuar no poder. Só não conseguiu porque o exército não topou. O ministro da Aeronáutica do Bolsonaro acabou de lançar um livro contando todos os deatlhes. Está tudo documentado, gente: Jair Bolsonaro tentou dar um golpe de estado no Brasil. E por isso está pereso.

Tinha até um plano para matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes! Tudo isso está documentado. E nós normalizamos a aberração do filho desse cara concorrer a presidente.

Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, fugiu para os EUA para não ser preso e, de lá, conspira contra o Brasil junto ao governo Trump, implorando para que os EUA intervenham no Brasil, comemorando sanções contra o próprio país.

Esse é o papel que a família Bolsonaro deseja para o Brasil: ser uma eterna colônia dos EUA. Para eles é um bom negócio, é claro. Estarão no poder e farão muito dinheiro com seus esquemas. Já o povo brasileiro, que sempre vive maus bocados quando seu governo é capacho dos EUA, que se exploda.

Lula, por outro lado, é mestre em política internacional. O Brasil, sob seu comando, é respeitado no mundo todo. Negocia com todos os países de igual pra igual, o que rende bons frutos para a população, já que nossas trocas comerciais são amplificadas e nossa indústria é minimamente desenvolvida.

Outro ponto importante: nos governos petistas o desmatamento da Amazônia diminuiu consideravelmente. Com Temer e Bolsonaro, o desmatamento aumentou – e muito!

Por essas e outras que essa eleição não diz respeito só ao Brasil, mas também ao futuro da nossa espécie.

Preservar a Amazônia é aumentar as chances de frearmos o apocalipse climático – que já começou. Colocar pessoas negacionistas, antivacinas, antipovo e entreguistas no poder é rifar o futuro dos brasileiros e possivelmente da própria humanidade.

Perdoem, portanto, este texto totalmente militante, mas é necessário. Entender a sabedoria das causas e consequências faz parte do caminho espiritual, e neste caso esá bem claro: eleger Lula é eleger a humanidade; eleger Flávio Bolsonaro é a treva.

Bora também votar na esquerda para os governos dos estados, para senador, deputado federal e estadual. Minha recomendação é votar em deputadas do PSOL, que são as mais confiáveis na defesa das lutas da maioria da população.

Para os outros cargos, bora eleger quem vai ajudar o futuro governo Lula.

Bom voto a todas e todos, e até a vitória.

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