Quem sou eu – apresentando a nova integrante do Videogame Cósmico

Oi, sou a Mariana, estou chegando por aqui. Sou educadora, formada em pedagogia e trabalhei por muitos anos na Educação Infantil. A educação ainda me encanta, mas não por causa da escola enquanto instituição, e sim por todos os seres que a compõem. Em meio ao caos do sistema escolar, público e privado, os professores e demais envolvidos ainda resistem com a motivação genuína de ajudar as crianças. Essa é uma parte da Mariana…agora vou contar um pouco de como conheci o Pedro e a Dafne. 

Eu comecei a ouvir os ensinamentos do Lama Padma Samten em 2018, momento em que também comecei a ir às práticas do CEBB. Antes disso, eu já praticava meditação, tinha feito alguns cursos relacionados, mas ainda fora de um contexto budista. Lembro até hoje da primeira vez que vi o Lama ao vivo. Foi num retiro aqui em SP, realizado no hotel Matsubara. Estava bem cheio e eu, como sempre muito cética, sentei-me no fundo, pensando “se for algo muito esquisito, já fico aqui perto da porta”. Logo no começo, quando o Lama fez as preces iniciais e começou a cantar o mantra do Sutra do Coração, algo me tirou da órbita normal que eu habitava até então. Todo o auditório entoando o mantra “OM GATE GATE PARAGATE PARASAMGATE BODHI SOHA” foi algo inesquecível. Senti que aqueles sons eram os mais bonitos que já ouvira e que de alguma forma eu estava num lugar familiar. Os ensinamentos foram um tanto complicados, confesso não ter entendido grande parte do que ouvi, porém ali fiquei. No final do retiro, os mestres costumam oferecer as bênçãos e tomamos o voto de refúgio no  Buda, Darma e Sanga. Lembro de ter ficado no fundo, observando como aquele ritual era feito. As pessoas ficam em fila, com a khata (uma espécie de lenço de seda) na mão para oferecer ao Lama e ele coloca em seu pescoço. Fiquei nas laterais, olhando com certo receio, desconfiada, e de repente, lágrimas começaram a brotar, assim, sem esforço, sem entendimento conceitual, sem razão nenhuma. Decidi entrar na fila. Minhas mãos tremiam muito e senti vergonha de talvez encontrar o Lama Samten, pela primeira vez, naquele estado de choro. Era uma sensação de estar despida, de um retorno a uma condição quase ingênua, pois eu não estava conseguindo sustentar nada naquele momento. Chegou a minha vez. Ele me abraçou, colocou a khata sobre meu pescoço e saí. Soube que algo diferente havia acontecido, como se uma janela fechada há tempos finalmente tivesse sido aberta. Enfim, um respiro. Diante de todos os altos e baixos da vida, de todas as oscilações dignas da humanidade, segui praticando e abrindo espaço para que os ensinamentos atravessassem a minha vida.

Em julho de 2022, decidi fazer o Retiro de Inverno no RS, no CEBB Caminho do Meio, local onde o Lama morou até 2024. Eu estava com bastante expectativa. Foi lá que conheci o Pedro e a Dafne. Conversamos alguns dias durante as refeições e rapidamente eu senti uma sintonia. Hoje, após alguns anos de convívio com a sanga (é assim que chamamos as pessoas que vivem a partir dos ensinamentos do Buda) percebo a força dessa conexão, pois a base de tudo, de um jeito ou de outro, é o silêncio. Todos nos encontramos nesse mesmo lugar. E, sem dúvida, todos queremos nos livrar do sofrimento. Nos encontramos no silêncio e também nas dores vividas por cada um. Lembro das inúmeras conversas que tivemos nas mesas do Caminho do Meio, entre os horários de ensinamentos, entre os períodos de meditação, todas elas permeadas por essas dores, permeadas pelo desejo de iluminar as aflições, pelo desejo de poder ajudar os outros de maneiras melhores, permeadas pela nossa tentativa incessante de querer consertar a nós mesmos e ao mundo. Assim, estabelecemos essa conexão com todos os seres. 

Em 2023 e 2024, as causas e condições da minha vida abriram uma brecha e eu pude fazer um retiro mais longo no RS, perto do Lama Samten. Portanto, só conseguimos nos reencontrar novamente agora, no início de 2025. Fiquei muito feliz por este reencontro e perguntei sobre a possibilidade de ajudá-los na Ekadanta e no Videogame Cósmico, uma jornada já iniciada por eles há um bom tempo. Depois de um café com direito a pão de banana, chocolate quente e muita conversa sobre a vida e budismo, fui aceita para compartilhar algumas das inúmeras nuvens de pensamentos que passam pela minha cabeça…espero que elas possam ajudar.

Nada melhor do que encerrar esse texto de chegada com algo dito pelo Lama. Uma das coisas que sempre me chamou a atenção, desde o início, era a fala dele sobre as rodas de conversa, rodas de sonho, algo que parece tão banal, mas que foi perdido em nossa sociedade, porque os sonhos e as conversas já estão todos atravessados por algo enrijecido, por uma estética já moldada pelas redes sociais e pela mídia, e não por uma verdadeira abertura. Apesar de todos os problemas da escola, as rodas ainda seguem por lá, firmes e fortes, como forma de construção de vínculos e para aprendermos a ouvir. Uma coisa arcaica, talvez, do ponto de vista da tecnologia, mas pra mim, ainda é a melhor forma de cura do mundo. Segue o trecho da fala dele:

Quando estamos em roda, uma das coisas que acho interessante é a gente ouvir os outros. Daqui a pouco, os outros falam o que a gente ia falar. E aí tá bem, tá falado! É como se fosse um treinamento da própria pessoa, ela não ter essa urgência, essa importância para falar. A gente vai ouvindo e vendo que direção aquilo está indo (…) não é que seja ‘nossa fala’. Vamos andando em direção a uma compreensão coletiva daquilo.

Assim, nestes tempos confusos, em que todas as pessoas têm algo urgente e super importante para dizer e opinar, é um alívio poder ouvir isso de um mestre e saber que a prática principal de uma roda ou de uma reunião ou dos encontros em geral, não é ser o cara que teve a super ideia inovadora, mas é estar ali presente, praticando a escuta, a presença e a confiança no outro. Aspiro que eu possa ouvir o Pedro com abertura, possa ouvir a Dafne com abertura, e que todas as ideias se transformem em um conteúdo que gere uma grande compreensão para nós e para quem lê. Estou feliz por estar aqui!

Por Mari Molinari

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A família Videogame Cósmico tá crescendo, como vocês acabaram de ficar sabendo, e se você também quiser estudar e praticar de forma mais profunda com a gente – Dafne, Pedro e agora também a Mari – dá uma olhada no site da Ekadanta, a nossa comunidade. 🙂

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